Manif de extrema direita no Martim Moniz
Caros leitores deste blog, achei por bem partilhar este texto que me enviaram para o mail acerca da manif que se deu a semana passada. Este texto apenas transmite tudo aquilo que penso e sinto em relação aos manifestantes da extrema direita, espero que se divirtam tanto como eu me diverti ao ler este texto.
Enjoy ;)
Boca do Inferno Ricardo Araújo Pereira
Orgulho "Beige"
Devo confessar que a manifestação de extrema-direita do passado
sábado me fez ter orgulho de ser português. Estavam ali 200 pessoas a gritar
palavras de ordem contra os estrangeiros e a fazer a saudação romana, de
modo que eu só podia ficar orgulhoso dos 9.999.800 portugueses que se
recusaram a pôr os pés em semelhante fantochada.
Não me interpretem mal:
alguns argumentos daquela gente - passe a expressão - até fazem sentido.
Dizem eles que não querem cá os «criminosos estrangeiros». Sendo uma
parte dos manifestantes criminosos portugueses (alguns deles, condenados por
homicídio) compreende-se que receiem a concorrência de criminosos vindos lá
de fora, que lhes podem tirar o lugar no sempre competitivo mundo da
criminalidade.
Além disso, eu até sou sensível à discriminação de pessoas
por causa da pele. Como não ligo muito à cor, discrimino com base no
tipo de pele. Não confio em pessoas que têm a pele seca, por exemplo. É gente
que não gosta de trabalhar. E ninguém me tira da cabeça que são ladrões.
Digamos que sou, com orgulho, um supremacista oleoso. Este país não há-de
avançar enquanto o poder não for detido pelas pessoas que têm a pele oleosa.
Por outro lado, alguns argumentos destes nazis são apenas
ridículos.
Por exemplo, um português a dizer que tem orgulho de ser branco é o mesmo
que o Bob Marley a dizer que tem muito gosto de ser sueco. Nós não somos
brancos, meus amigos. Brancos são os ingleses. Nós, se formos um
bocadinho à
praia, ficamos logo mais escuros. Mas um inglês está cinco minutos ao
sol e parece uma lagosta com escarlatina. Isso é que é ser branco.
Outro exemplo:
nos Jogos Olímpicos, nós só ganhamos nas provas de fundo e meio-fundo,
juntamente com os quenianos e os etíopes. Os brancos ganham é na natação e no hipismo.
Portanto, nós somos pretos.
Há muitos anos que estou convencido disto:
a única razão pela qual os skinheads portugueses rapam a cabeça é para que
não se perceba que eles têm carapinha. Não sei se estão a par disto, mas nos
congressos internacionais de nazis, ter carapinha não é característica que se encoraje ou aprecie.
Pela minha parte, devo dizer que estou encantado com o facto de ser preto.
Reparem na transformação por que passou o Michael Jackson:
enquanto foi preto, era um grande artista e sabia cantar e dançar. De repente, à
medida a que foi embranquecendo, começou a cantar cada vez pior e a dormir
com rapazinhos. Será preciso dizer mais?
Não, definitivamente nós não somos brancos. Nós somos quando
muito, beiges. E o beige, devo lembrar, é das cores mais maricas que há. Não
respeito uma cor que, sem palavra portuguesa original que a designe, tem um
nome francês.
Nesse aspecto, ainda bem que nós não somos, por exemplo,
bordeaux. Isso sim, seria verdadeiramente trágico.
P.S.: Lembrei-me agora do seguinte: o meu tio Vítor, que tem uma
cirrose, é bordeaux, sobretudo na zona do nariz. Coitado do homem.
23 de Junho de 2005 Visão




4 Comments:
Em relação à dita manif, não me manifesto, porque não me aquece nem me arrefece, nem tenho nada a dizer.. Agora o que eu acho é que os criminosos deviam ir pá cadeia e aqueles que não têm nacionalidade portuguesa, era um xuto na peida e andor. Posto isto, é só reflectir um pouco nos factos e cada um tire as suas conclusões.
Em relação à cor da pele, esse facto também não me aquece,contráriamente, ao Araújo que não me parece tão indiferente, e diz que (...)"nós somos pretos" e "devo dizer que estou encantado com o facto de ser preto" - fale por ele, o que é certo é que ninguém lhe tira a carapinha, só mesmo rapando..lol
A meu ver, ninguém se sente mais ou menos encantado pelo facto de ser branco ou preto. Eu sou branca e isso não me fascina. O Araújo fala destas coisas num tom lúdico, e encantor, mas isso mais me parece ser um complexo em torno de sentimentos de inferiridade, do que outra coisa...
Já sabia que ao colocar este post iria dar polémica.
Não posso concordar quando dizes que os que não têem nacionalidade portuguesa era um xuto no cu. Pois só mesmo para refrescar a memória, nós somos um país de emigrantes! Agora somos mais de imigrantes do que o contrário mas obviamente que sempre o fomos e penso que se a tua familia fosse emigrante não pensarias dessa forma... mas opiniões são opiniões e só as posso respeitar. No entanto parece-me que esta questão te afecta mais do que o que dizes no comentário, caso contrário nem te darias ao trabalho de comentar.
Pessoalmente penso que o texto do Araújo está muito bem conseguido e ainda soltei umas boas gargalhadas ao lê-lo.
Obrigada pelo teu comentário
fadadalua7
Não me devo ter exprimido bem. O que não me afecta são questões de cor de pele e manif, o resto interessa-me e afecta-me, porque se eu emigrasse de certeza que se fizesse merda pagaria por isso e foi nesse contexto que falei no xuto no cu, mas realmente fui pouco clara. O maior problema disto tudo e que realmente me afecta e preocupa é, por exemplo, aquele "arrastão", que foi feito por indivíduos que têm nacionalidade portuguesa e que desses não houve controlo, como se viu. Cada vez é mais fácil adquirir a nacionalidade portuguesa. A meu ver o Araujo pegou mal nesse tema tão delicado e se era para ter piada, pra mim , n a teve.
Ok Ana :) Agora já assimilei o que quiseste dizer e pode-se dizer que concordo contigo. A meu ver o que seria urgente fazer era uma seleção e não permitir mais imigrantes ilegais no nosso país. Pois nós também vamos trabalhar para outros países e quando isso acontece temos que nos legalizar e ter um contrato. Mas continuamos a ser um país de brandos costumes, cada vez mais brandos para os estrangeiros do que para nós. Penso que o que aconteceu foi que não estávamos preparados para um boom tão grande de imigrantes no nosso país, isto a nível mesmo governamental. E para variar é tudo em cima do joelho, pois o governo português nunca previne nada, tenta remediar o que acima de tudo deveria ter sido evitado... mas poderámos estar aqui infinitamente a debater este tema. Pessoalmente sou contra a injustiça no geral. Como diz o spotless mind se é para uns é para todos.
E quanto ao arrastão, sabes, já não sei o que pensar... será que aquilo aconteceu mesmo? Agora já existem tantas teorias em relação a isso que eu prefiro não me manifestar, não estive lá portanto não sei ao certo o que aconteceu. Se houver alguém que leia este blog que esteve em Carcavelos nesse dia que comente o que realmente viu acontecer. Enfim... só sei que este país vai de mal a pior e eu quando soube do arrastão só pensei que isto está cada vez mais parecido com o Brasil... mas no mau sentido.
Obrigada por estes momentos de debate que eu tanto aprecio.
:)
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